segunda-feira, 28 de março de 2011

Setor de celulose e ambientalistas apresentam proposta para Código Florestal

O setor de celulose e organizações ambientalistas apresentaram na quinta-feira (24) um proposta conjunta de mudança no Código Florestal. O texto tem 16 pontos e pretende ser consenso entre as demandas do agronegócio e das instituições da sociedade civil de defesa do meio ambiente.
O documento defende que a legislação incorpore mecanismos de incentivo à preservação e à recuperação de áreas de mata, como o pagamento por serviços ambientais e os créditos de carbono. Segundo o diretor da organização não governamental (ONG) Amigos da Terra, Roberto Smeraldi essa é uma das principais diferenças em relação ao projeto de novo Código Florestal, que tem o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) como relator.

“O Código Florestal deve prever incentivos econômicos em vez de multas e sanções”, ressaltou a presidenta da Associação Brasileira de Celulose e Papel [Abracelpa], Elizabeth Carvalhaes. O diretor do Instituto BioAtlântica, Beto Mesquita, defende que esses incentivos, além de estarem adequados à necessidade de preservação, devem chegar à demanda por recuperação da cobertura florestal.

Por isso, ressaltou Smeraldi, o texto apresentado nesta quinta (24) não contempla anistia para proprietários que desmataram mais do que o permitido, ao contrário do previsto na proposta de Rebelo. Não há também isenção da reserva legal para pequenas propriedades ou moratória do desmatamento. O projeto do Código Florestal estipula que a derrubada da mata seja proibida por um prazo de cinco anos após a sua aprovação.

Para Smeraldi, essas diferenças marcam a essência da proposta. O texto busca, de acordo com ele, trazer soluções duradouras para os problemas relativos à preservação e produção. O ambientalista ressaltou que o projeto foi pensado “com uma ideia de futuro e não de resolver passivos tópicos”.
Entre os pontos controversos que o projeto aborda está a questão das áreas de proteção permanente (APPs). A vegetação que protege regiões frágeis, como cursos de água, poderia entrar no cálculo da reserva legal, percentual de mata nativa que deve ser preservada dentro da propriedade. Isso com algumas restrições, entre elas, que não haja a conversão de novas áreas. Não há, no entanto, a previsão de diminuir o tamanho das APPs, como proposto por Rebelo. (Agência Brasil/Agrolink)

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Fronteira de Mato Grosso do Sul é reconhecida como livre de aftosa

A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), por meio da Comissão Científica, reconheceu nesta sexta-feira, 4 de fevereiro, a Zona de Alta Vigilância (ZAV) de Mato Grosso do Sul como livre de febre aftosa com vacinação. Com isso, todo o estado passa a ter essa classificação. A decisão foi comunicada ao secretário de Defesa Agropecuária, Francisco Jardim, pelo diretor-geral da OIE, Bernard Vallat. “Trata-se do reconhecimento do trabalho desenvolvido pelos técnicos do Ministério da Agricultura e dos fiscais da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal”, explica o diretor de Saúde Animal do Ministério da Agricultura, Guilherme Marques.

Entre as medidas que contribuíram para o reconhecimento da OIE, o secretário de Defesa Agropecuária, Francisco Jardim, destaca o controle efetivo do trânsito dos animais, a vigilância intensiva, a identificação individual do rebanho e a vacinação oficial, que contou com a fiscalização dos técnicos estaduais e do governo federal. “Essa iniciativa vai contribuir para conquistarmos mercados importantes que veem como requisito o estado inteiro estar livre da doença com vacinação”, enfatiza Jardim.

Em 2001, o Mato Grosso do Sul tinha alcançado o status de livre de febre aftosa com vacinação pela OIE. Mas, com o surgimento de um foco da doença, em 2005, o organismo internacional decidiu suspender esse reconhecimento. Em 2008, parte do estado retornou à condição de área livre com vacinação, exceto a Zona de Alta Vigilância (ZAV), que foi implantada na época. Após ações intensivas na região, em agosto de 2010, o Ministério da Agricultura encaminhou o pedido do restituição do status.

A Zona de Alta Vigilância é composta por 13 municípios: Antônio João, Aral Moreira, Bela Vista, Caracol, Coronel Sapucaia, Corumbá, Japorã, Ladário, Mundo Novo, Paranhos, Ponta Porá, Porto Murtinho e Sete Quedas. Essas cidades fazem fronteira com o Paraguai e a Bolívia. Nessa região, são criados cerca 800 mil bovinos e búfalos. Fonte: Kelly Beltrão/Mapa

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Valor da produção pode atingir R$ 187 bi em 2011

A mais recente estimativa para o Valor Bruto da Produção em 2011 pode chegar a R$ 187 bilhões. O resultado, obtido a partir das pesquisas de safra realizadas em dezembro de 2010 e baseado nos preços praticados nos principais mercados do país, é 8,29% superior ao obtido no ano passado (R$ 172,74 bilhões), de acordo com estudo da Assessoria de Gestão Estratégica (AGE) do Ministério da Agricultura. Se confirmado ao logo do ano, este será o maior valor da série histórica iniciada em 1997.

“As perspectivas de uma safra favorável, que pode chegar a 149,4 milhões de toneladas,pelas estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e a tendência de alta de preços dos principais produtos agrícolas são fatores essenciais para os resultados de 2011”, explica o coordenador de Planejamento Estratégico do ministério, José Gasques, responsável pela pesquisa.

Os melhores resultados obtidos até dezembro são para uva (55,9%), feijão (41%), algodão (38,3%), pimenta do reino (23,5%), laranja (22,7%), mandioca (20,2%), café (13,1%) e arroz (11,2%). Em percentuais pouco menores de aumento no valor da produção encontram-se o milho (10,7%) e a soja (5%). A recuperação do valor da produção desses dois produtos, que no ano passado tiveram decréscimo, pode ser essencial para os resultados da renda da agricultura em 2011.

Poucos itens devem apresentar redução do valor da produção neste ano. Entre eles, se destacam a cebola (- 63%) e o trigo (-22,4%). “Como há divergência entre as estimativas de produção da Conab e do Instituto brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em relação ao trigo, o resultado do cereal será revisto ao longo dos próximos meses”, observa Gasques. Já a redução acentuada de valor para a cebola deve-se à base utilizada, relativa a outubro de 2010, quando, segundo o coordenador, foram registrados resultados consideravelmente inferiores às médias anteriores.

Regiões

Na análise por região, ainda não há dados disponíveis para o ano que se inicia, mas 2010 terminou com resultados favoráveis para o Norte (8,3%), Sudeste (12,15%) e Sul (5%). Nestas regiões, os estados que mais se destacaram foram Pará, Minas Gerais, São Paulo e Paraná

No Centro-Oeste, a queda de valor da produção ocorreu exclusivamente em Mato Grosso e Goiás, cujos resultados foram comprometidos principalmente pelo milho e pela soja (MAPA) .

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Agricultores sertanejos comemoram bom período de chuvas

De acordo com o Instituto Agronômico de Pernambuco, nos próximos três meses, o volume de chuvas vai ficar dentro da média ou um pouco acima do normal no Sertão

A chuva que reapareceu antes do fim do ano tem animado agricultores das regiões semi-áridas. O bom período chuvoso esperado pelo sertanejo é provocado pelo fenômeno La Niña, que é o esfriamento das águas do oceano Pacífico, afetando o comportamento climático do continente americano e de outras regiões do planeta.

De acordo com o Instituto Agronômico de Pernambuco, o fenômeno deve possibilitar pelo menos nos próximos três meses, um volume de chuvas que fique dentro da média ou um pouco acima do normal. Seria uma precipitação ideal para uma boa colheita no semi-árido. “A gente planta, mas a esperança é Deus abençoar para a gente pegar e vender por um preço legal”, conta o agricultor Laércio dos Santos, que começou a plantar milho em dezembro do ano passado.

Um exemplo foi o que ocorreu no município de Floresta, em dezembro de 2010. Foram registrados pouco mais de 200 milímetros no mês, quando a média histórica é de 40 milímetros. Em Afogados da Ingazeira, choveu 85,4 mm, superando a média de janeiro para o mês, que foi de 57,6 milímetros (PE 360 Graus).

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Chuvas aumentam as voçorocas




O período chuvoso, sem dúvida, é o melhor para o produtor rural. É nesta época que o campo se transforma, com tudo verde e os animais ficam mais saudáveis. A chuva, porém, traz uma preocupação que já entrou na agenda do produtor mais consciente da preservação ambiental. As voçorocas, ou aquelas verdadeiras crateras abertas pela ação da chuva e dos ventos, aumentam nesse período.

Por isso, é louvável a iniciativa do poder público em algumas regiões em remunerar o pequeno produtor conforme as ações de preservação ambiental. Essas ações, até então, têm sido restritas a preservação de matas ciliares e nascentes. Mas as voçorocas podem fazer parte dessas medidas. Afinal, toda a terra arrastada pelas chuvas e pelo vento acaba indo para os cursos d´água como córregos e rios.

É bom que o produtor comece a se preocupar com o problema não só quando já estiver em elevado grau de degradação. Os pequenos sinais em meio a pastagens, lavouras e até em estradas já devem ser tratados com atenção para não agravar o problema.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Embrapa indica variedades de amendoim para o Semiárido

Três cultivares de amendoim desenvolvidas pela unidade de Algodão da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Campina Grande (PB), são recomendadas para o Semiárido nordestino. As variedades BR1, BRS 151 L7 e BRS Havana já estão disponíveis na Embrapa Transferência de Tecnologia, em Brasília (DF). A oleaginosa também tem potencial para a fabricação de biodiesel, umqa vez que algumas variedades produzem até 50% de óleo.



As cultivares são tolerantes à seca, apresentam ciclo curto e grãos com características exigidas pelo mercado interno e pela indústria. A BR1, mais procurada pelos produtores nordestinos, tem baixo teor de óleo (45%) e 29% de proteína bruta. Seu ciclo médio é de 90 dias. A BRS 151 L7 é a mais precoce, com ciclo de 87 dias. O teor de óleo bruto nas sementes é 46%. Já a BRS Havana tem ciclo de 90 dias e o menor teor de óleo (43%) entre as cultivares utilizadas no Brasil.



A maior parte do amendoim brasileiro é cultivada na região Sudeste, seguida pelo Centro-Oeste e Nordeste. São Paulo se destaca com cerca de 80% da produção nacional. Os principais produtores do Nordeste são a Bahia, Sergipe, Ceará e Paraíba. A região é também a segunda maior consumidora de amendoim do Brasil. O sistema de produção típico é o de agricultura familiar, com pouco uso de insumos ou mecanização.



No mês passado, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulgou a relação dos municípios com novas áreas aptas ao plantio da oleaginosa no Ceará e Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. O estudo para indicação das áreas – o zoneamento agrícola de risco climático – leva em conta os períodos de plantio para o cultivo das variedades em condições de baixo risco climático.



Para obter mais informações e adquirir sementes das cultivares, basta entrar em contato com o escritório de negócios da Embrapa em Campina Grande (PB), na Rua Oswaldo Cruz, 1143 – Bairro Centenário – Caixa Postal 174 CEP – 58107-720, ou ainda pelos e-mails encpg.snt@embrapa.br e sementes@cnpa.embrapa.br. (MAPA e Embrapa)

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Governo quer incentivar produtores de orgânicos

“A redução de impostos e pagamentos por serviços ambientais, além de incentivos governamentais ao produtor de orgânicos são algumas formas de reduzir gastos e fomentar o setor”, afirmou o coordenador de Agroecologia do Ministério da Agricultura, Rogério Dias, em palestra, na noite de ontem, durante a BioFach América Latina 2010. O evento segue até amanhã.



Segundo ele, esse é um tema que surge agora na pauta de discussões do setor, que busca, por meio de redução nas questões tributárias e fiscais, reduzir os gastos do agricultor. “Queremos que o produto orgânico tenha preços mais competitivos e que seja permitida a universalização do acesso”, destaca Dias. Ele conta que esse desafio foi colocado pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em café da manhã orgânico promovido por representantes do setor, no Palácio do Planalto, há quatro meses. “Uso as palavras do nosso presidente: temos que buscar medidas fiscais e tributárias que permitam o acesso de toda a população aos produtos orgânicos, dos mais ricos aos mais pobres”.



Para Rogério, esse é o início das discussões, que será útil para que empresários e governo comecem a pensar não só em como baixar tributos, mas como também colocar a questão de pagamento por serviços ambientais, que podem ser reduzidos. “Já existem iniciativas, não só no Brasil, mas em outros países, e às vezes são pequenas medidas como essas que podem ser adotadas, trazendo resultados bastante positivos”.



A questão da assistência técnica também é importante e pode ser reforçada com profissionais do governo federal capacitados a levar informações da agricultura orgânica aos produtores, pois, hoje, é um dos grandes desafios para o crescimento do setor. “Aí entra o papel de órgãos, como os ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário, que têm recursos e já vêm investindo em capacitações de produtores”, conclui Dias. (Sophia Gebrim/MAPA)