A agricultura de baixo carbono é uma das medidas centrais para que o Brasil tenha sucesso na mitigação dos efeitos do clima, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na manhã desta terça-feira, 26 de outubro. Ele encerrou a reunião do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, no Palácio do Planalto, quando também foi lançado o Inventário Brasileiro de Emissões de CO2.
Lula mencionou os R$ 2 bilhões destinados ao programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), instituído este ano, para financiar, a juros baixos, práticas que reúnam eficiência no campo com redução das emissões de CO2. Segundo o presidente, os incentivos do governo para promover uma “safra verde” e o empenho do setor rural juntamente com o combate ao desmatamento serão fundamentais para que o Brasil atinja as metas de redução, até 2020, entre 36% e 39% das emissões de gases de efeito estufa anunciadas em 2009, durante a Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15), em Copenhague (Dinamarca).
“Os compromissos estabelecidos estão sendo cumpridos e se continuarmos neste ritmo vamos antecipar a meta em quatro anos”, afirmou. “Estabelecemos metas voluntárias e demos uma resposta ousada e concreta ao mundo sem abdicar de crescimento econômico e promoção da inclusão social”, disse. O presidente citou ainda como ações importantes para mitigar as mudanças climáticas, os zoneamentos agroecológicos da cana-de-açúcar e da palma de óleo, para orientar a expansão das duas culturas com preservação ambiental, e a política de incentivo à tecnologia dos carros flex-fluel. “Os empresários rurais já entenderam que cuidar do clima é uma vantagem comparativa em relação a outros países produtores de alimentos”, completou Lula.
Nesta manhã, o presidente também assinou o decreto que regulamenta o Fundo Nacional de Mudanças Climáticas, que vai financiar ações de combate à desertificação, adaptação ao clima, promoção e difusão de tecnologias, incentivo às cadeias produtivas sustentáveis e pagamento de serviços ambientais. Para 2011, o fundo já tem aprovados R$ 226 milhões.
O Inventário Brasileiro de Emissões de CO2 será apresentado na 16ª Conferência das Partes da Convenção do Clima (COP-16), em Cancun (México), que será realizada de 29 de novembro a 10 de dezembro deste ano. (Laila Muniz/MAPA)
Esta página tem o objetivo de contribuir para a difusão de informações sobre a cultura do meio rural. A intenção não é ser uma referência em “furos jornalísticos”, mas divulgar as riquezas culturais e naturais que ainda não conseguiram espaço na grande mídia. Seja produção própria ou compilação junto a outros veículos, que terão a fonte devidamente citada, PALAVRA RURAL trará também informações importantes ao homem do campo e a todos que se interessam pelas coisas do meio rural.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Congresso Mundial de ensino em alternância debate a educação no meio rural
O diretor do Departamento de Assistência Técnica e Extensão Rural (DATER), da Secretaria da Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (SAF/MDA), Argileu Martins da Silva, participa, de 22 a 24 de setembro, na cidade de Lima, no Peru, do IX Congreso Mundial de la AIMFR: Educación en Allternancia para el Desarrollo Rural. Silva. Argileu, que estará representando o MDA, vai abordar o tema: La educación rural y su impacto en el desarollo local. “O foco do Congresso é impactar de maneira expressiva a pedagogia da alternância com direito ao conhecimento no meio rural”, esclarece.
O Congresso tem por objetivo divulgar o sistema de ensino aplicado em alternância em áreas rurais do Peru e de outras partes do mundo, mostrar a sua contribuição para o desenvolvimento dos povos para a educação integral dos jovens, com o envolvimento das famílias e outras partes interessadas na parceria para a gestão dos centros de formação. O Congresso pretende provocar a reflexão e o intercâmbio de experiências.
Esta 9ª edição do Congresso Mundial, que é realizado a cada cinco anos, tem mais de 1.500 parceiros de 40 países dos cinco continentes. É organizado pela União Nacional dos Centros de Formação Rural em Alternância do Peru (UNCRFAP) e pela Pro Rural – Educação para o Desenvolvimento Rural e conta com o apoio do Movimento Internacional de Solidariedade Familiar de Formação Rural (SIMFR), do Peru.
O sistema de educação em alternância
Implantado no Peru desde 2002, o ensino em alternância promove o desenvolvimento local por meio da formação global dos jovens e adolescentes nas áreas rurais. Este sistema é composto por: associações, constituídas por pais e outros atores locais que compõem os Centros Rurais de Formação de Alternância (CRFA), que aplicam a pedagogia da Alternância. Essas instituições contribuem para a formação profissional do aluno de acordo com o potencial de desenvolvimento local onde estão inseridos, promovendo o empreendedorismo em diversos setores de produção de bens e serviços.
No Brasil, o movimento surgiu no final dos anos 60, soba influência francesa. Os Centros Familiares de Formação por Alternância (CEFFAs) aplicam a Pedagogia da Alternância e atuam com as Casas Familiares Rurais (CFR) e as Escolas Família Agrícola (EFA), entre outras entidades. Para participar o aluno deve ser filho de agricultor, trabalhador rural ou agregado. O estudante passa por um período de desenvolvimento de atividades nos Centros Rurais com as famílias e comunidades, e o estudo segue um plano de ensino criado entre a escola e a família.
Mais informações sobre o evento podem ser obtidas pelo site www.aimfr-congresoperu.com.
Fonte: Portal do MDA
O Congresso tem por objetivo divulgar o sistema de ensino aplicado em alternância em áreas rurais do Peru e de outras partes do mundo, mostrar a sua contribuição para o desenvolvimento dos povos para a educação integral dos jovens, com o envolvimento das famílias e outras partes interessadas na parceria para a gestão dos centros de formação. O Congresso pretende provocar a reflexão e o intercâmbio de experiências.
Esta 9ª edição do Congresso Mundial, que é realizado a cada cinco anos, tem mais de 1.500 parceiros de 40 países dos cinco continentes. É organizado pela União Nacional dos Centros de Formação Rural em Alternância do Peru (UNCRFAP) e pela Pro Rural – Educação para o Desenvolvimento Rural e conta com o apoio do Movimento Internacional de Solidariedade Familiar de Formação Rural (SIMFR), do Peru.
O sistema de educação em alternância
Implantado no Peru desde 2002, o ensino em alternância promove o desenvolvimento local por meio da formação global dos jovens e adolescentes nas áreas rurais. Este sistema é composto por: associações, constituídas por pais e outros atores locais que compõem os Centros Rurais de Formação de Alternância (CRFA), que aplicam a pedagogia da Alternância. Essas instituições contribuem para a formação profissional do aluno de acordo com o potencial de desenvolvimento local onde estão inseridos, promovendo o empreendedorismo em diversos setores de produção de bens e serviços.
No Brasil, o movimento surgiu no final dos anos 60, soba influência francesa. Os Centros Familiares de Formação por Alternância (CEFFAs) aplicam a Pedagogia da Alternância e atuam com as Casas Familiares Rurais (CFR) e as Escolas Família Agrícola (EFA), entre outras entidades. Para participar o aluno deve ser filho de agricultor, trabalhador rural ou agregado. O estudante passa por um período de desenvolvimento de atividades nos Centros Rurais com as famílias e comunidades, e o estudo segue um plano de ensino criado entre a escola e a família.
Mais informações sobre o evento podem ser obtidas pelo site www.aimfr-congresoperu.com.
Fonte: Portal do MDA
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Agriminas 2010 começa nesta quinta, em BH
Quem gosta das coisas do meio rural e está nas proximidades da capital mineira pode visitar a Feira de Agricultura Familiar de Minas Gerais (Agriminas), que está completando sua quinta edição. O evento começa nesta quinta-feira, 2 de setembro e vai até o próximo domingo, 5, na Serraria Souza Pinto, no centro de Belo Horizonte.
A Agriminas tem como objetivo expandir o mercado para os produtos da agricultura familiar e ao mesmo tempo qualificar agricultores e assentados da reforma agrária. Durante quatro dias serão apresentados ao público variados produtos da agroindústria familiar e de áreas de assentamento da reforma agrária em todo o Estado.
Os participantes podem, ainda, assistir a palestras técnicas focadas na capacitação de agricultores, reuniões de negócios e oficinas voltadas para o público visitante.
É sem dúvida um momento para se conhecer um pouco mais sobre o meio rural, ou, para quem já conhece, matar a saudade “das coisas do campo”.
A Agriminas tem como objetivo expandir o mercado para os produtos da agricultura familiar e ao mesmo tempo qualificar agricultores e assentados da reforma agrária. Durante quatro dias serão apresentados ao público variados produtos da agroindústria familiar e de áreas de assentamento da reforma agrária em todo o Estado.
Os participantes podem, ainda, assistir a palestras técnicas focadas na capacitação de agricultores, reuniões de negócios e oficinas voltadas para o público visitante.
É sem dúvida um momento para se conhecer um pouco mais sobre o meio rural, ou, para quem já conhece, matar a saudade “das coisas do campo”.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Pesquisa dá mais utilidade à fava d'anta
Uma árvore do Cerrado que beneficia a população do Norte de Minas pode se tornar fonte de renda ainda mais importante. Hoje, pequenos agricultores vendem os grãos da fava d'anta para duas empresas farmacêuticas que extraem a rutina no Brasil. A substância é usada para a produção de medicamento que fortalece a parede dos vasos sanguíneos. Pesquisa desenvolvida no curso de pós-graduação em ciências agrárias, do Instituto de Ciências Agrárias (ICA) da UFMG, descobriu que outro princípio ativo da planta, o galactomanano, pode vir a ser utilizado na indústria de iogurtes e sorvetes como espessante. O produto é importado da Índia e do Paquistão a um custo de R$ 18 a R$ 28 o quilo.
A pesquisa desenvolvida como tese de mestrado pelo agrônomo Manoel Ferreira de Souza investigou formas de repor a fava d'anta no Cerrado, já que há riscos de extinção da planta por causa da expansão da fronteira agrícola, que já reduziu esse tipo de vegetação a 60% do original no país. O risco de extinção também está no extrativismo predatório. Há alguns anos, agricultores chegavam a derrubar a árvore para colher as sementes. Hoje, com a ajuda da Universidade, eles já conseguem fazer a colheita com o uso de um instrumento chamado podão, conforme o pesquisador.
A intervenção da Universidade tem se mostrado também favorável para impedir que as sementes da árvore sejam repassadas aos atravessadores por preços muito baixos.
Reconhecendo o valor da planta, também há mais interesse na preservação como fonte de renda. "Em 2001, eles recebiam R$ 0,10 por quilo; em 2010, os atravessadores já pagam R$ 0,80 pelo quilo", diz Souza. Com a venda direta às indústrias, a estimativa é de que o quilo da vagem possa valer R$ 1,20 durante o período de colheita, que começa no final de abril e termina no início do mês de junho. O aumento da remuneração dos pequenos agricultores que pode vir com a exploração do potencial da planta tem relação direta com a preservação, como enfatiza Souza.
A pesquisa sobre a árvore foi realizada em dois anos, com base na vontade, como diz Souza, e com o apoio de R$ 1.045 mensais da bolsa do CNPQ. "Estudei em escolas públicas, escolhi o tema por causa da importância dele na vida das famílias daqui e porque acho que é a forma de dar o retorno que recebi com o recurso público", justifica o agora mestre em agronomia.A descoberta de mais dois princípios ativos na vagem da fava d'anta deve contribuir para aumentar o interesse e a preservação pela população.
Além da rutina, já usada pela indústria farmacêutica (processada na Alemanha), da substância que poderá ser espessante para sorvete, de alto potencial econômico, os pesquisadores descobriram que a semente da planta do Cerrado possui quercetina, que é usada como suplemento alimentar de soldados norte-americanos.
O grande trunfo dos pesquisadores contra a extinção da fava d'anta é a reprodução por meio de semeadura. O método será testado em outubro, na região de Montes Claros. "Conseguimos isso por indução já que o invólucro da semente é quebrado e quando ela entra em contato com a água começa o processo de germinação", explica Souza, complementando que, naturalmente, a germinação só acontece com a chegada da água da chuva. Ele acrescenta que o plantio não significa, de pronto, a multiplicação das árvores, mas garante a substituição das que vão morrendo aos cerca de 15 ou20 anos de idade.
Além de semear, a pesquisa vai recomendar aos agricultores que adubem as plantas nativas com esterco de curral e fosfato, o fertilizante mais barato do mercado. Souza observa que o maior obstáculo para os produtores encamparem o projeto é a baixa estima e, ainda, a falta de reconhecimento do valor da planta como fonte de renda.
A produtora rural Fátima Alves Ferreira, de 45 anos, diz que não pretende começar a plantar a fava d'anta neste ano. Ela foi a produtora que cedeu a área para a pesquisa sobre a árvore. "Teria pouco espaço para isso", desconversa, alegando também falta de estímulo. A árvore da fava d'anta pode atingir até 14 metros no Norte de Minas.
Em 2008, ela e mais 10 produtores conseguiram colher 15 mil quilos de vagem, mas, no ano passado, essa quantidade caiu para 4 mil quilos, em decorrência do ciclo produtivo natural da planta. Segundo as previsões da pesquisa, ao final de duas colheitas com as plantas adubadas, os produtores vão poder comparar o impacto na produção. A agricultora Fátima também se queixa da dificuldade de organizar o produto para vender. "É muito pesado e trabalhoso, a gente só pega porque precisa mesmo", queixa-se.
O pesquisador do ICA concorda com a agricultora e diz que os produtores precisam se organizar em associações ou cooperativas para facilitar a produção e a venda das sementes. "O mercado também é mal organizado e dificulta tanto o escoamento quanto a remuneração dos trabalhadores, sujeitos à ação dos atravessadores", destaca. Conforme Fátima, a produção dela e dos agricultores da região é vendida para a cooperativa de uma cidade próxima(Hoje em Dia).
A pesquisa desenvolvida como tese de mestrado pelo agrônomo Manoel Ferreira de Souza investigou formas de repor a fava d'anta no Cerrado, já que há riscos de extinção da planta por causa da expansão da fronteira agrícola, que já reduziu esse tipo de vegetação a 60% do original no país. O risco de extinção também está no extrativismo predatório. Há alguns anos, agricultores chegavam a derrubar a árvore para colher as sementes. Hoje, com a ajuda da Universidade, eles já conseguem fazer a colheita com o uso de um instrumento chamado podão, conforme o pesquisador.
A intervenção da Universidade tem se mostrado também favorável para impedir que as sementes da árvore sejam repassadas aos atravessadores por preços muito baixos.
Reconhecendo o valor da planta, também há mais interesse na preservação como fonte de renda. "Em 2001, eles recebiam R$ 0,10 por quilo; em 2010, os atravessadores já pagam R$ 0,80 pelo quilo", diz Souza. Com a venda direta às indústrias, a estimativa é de que o quilo da vagem possa valer R$ 1,20 durante o período de colheita, que começa no final de abril e termina no início do mês de junho. O aumento da remuneração dos pequenos agricultores que pode vir com a exploração do potencial da planta tem relação direta com a preservação, como enfatiza Souza.
A pesquisa sobre a árvore foi realizada em dois anos, com base na vontade, como diz Souza, e com o apoio de R$ 1.045 mensais da bolsa do CNPQ. "Estudei em escolas públicas, escolhi o tema por causa da importância dele na vida das famílias daqui e porque acho que é a forma de dar o retorno que recebi com o recurso público", justifica o agora mestre em agronomia.A descoberta de mais dois princípios ativos na vagem da fava d'anta deve contribuir para aumentar o interesse e a preservação pela população.
Além da rutina, já usada pela indústria farmacêutica (processada na Alemanha), da substância que poderá ser espessante para sorvete, de alto potencial econômico, os pesquisadores descobriram que a semente da planta do Cerrado possui quercetina, que é usada como suplemento alimentar de soldados norte-americanos.
O grande trunfo dos pesquisadores contra a extinção da fava d'anta é a reprodução por meio de semeadura. O método será testado em outubro, na região de Montes Claros. "Conseguimos isso por indução já que o invólucro da semente é quebrado e quando ela entra em contato com a água começa o processo de germinação", explica Souza, complementando que, naturalmente, a germinação só acontece com a chegada da água da chuva. Ele acrescenta que o plantio não significa, de pronto, a multiplicação das árvores, mas garante a substituição das que vão morrendo aos cerca de 15 ou20 anos de idade.
Além de semear, a pesquisa vai recomendar aos agricultores que adubem as plantas nativas com esterco de curral e fosfato, o fertilizante mais barato do mercado. Souza observa que o maior obstáculo para os produtores encamparem o projeto é a baixa estima e, ainda, a falta de reconhecimento do valor da planta como fonte de renda.
A produtora rural Fátima Alves Ferreira, de 45 anos, diz que não pretende começar a plantar a fava d'anta neste ano. Ela foi a produtora que cedeu a área para a pesquisa sobre a árvore. "Teria pouco espaço para isso", desconversa, alegando também falta de estímulo. A árvore da fava d'anta pode atingir até 14 metros no Norte de Minas.
Em 2008, ela e mais 10 produtores conseguiram colher 15 mil quilos de vagem, mas, no ano passado, essa quantidade caiu para 4 mil quilos, em decorrência do ciclo produtivo natural da planta. Segundo as previsões da pesquisa, ao final de duas colheitas com as plantas adubadas, os produtores vão poder comparar o impacto na produção. A agricultora Fátima também se queixa da dificuldade de organizar o produto para vender. "É muito pesado e trabalhoso, a gente só pega porque precisa mesmo", queixa-se.
O pesquisador do ICA concorda com a agricultora e diz que os produtores precisam se organizar em associações ou cooperativas para facilitar a produção e a venda das sementes. "O mercado também é mal organizado e dificulta tanto o escoamento quanto a remuneração dos trabalhadores, sujeitos à ação dos atravessadores", destaca. Conforme Fátima, a produção dela e dos agricultores da região é vendida para a cooperativa de uma cidade próxima(Hoje em Dia).
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
ALMG aprova exploração da Mata Seca no Norte de Minas
A Assembleia Legislativa de Minas Gerais promulgou lei que retira a chamada Mata Seca, na Região Norte do Estado, da área de preservação ambiental da Mata Atlântica. A Lei 19.096/2010, publicada nesta quarta-feira (4) no Diário Oficial do Estado, permite que a área remanescente de mata seca, protegida por lei federal, seja desmatada para atividades agrícolas e produção de carvão.
Polêmico, o projeto de lei aprovado em junho pelo legislativo mineiro recebeu críticas de ambientalistas, que o consideraram inconstitucional, pois permite o desmatamento de até 70% da área coberta pela vegetação, como prevê a legislação estadual, mais permissiva do que a federal.
A Mata Seca foi incluída na área de preservação da vegetação nativa da Mata Atlântica pelo Decreto Federal 6.660, de novembro de 2008. Conforme o Instituto Estadual de Florestas (IEF), a área remanescente corresponde a 48% da área original.
Desmatamento
Na pesquisa da Fundação SOS Mata Atlântica divulgada em maio, Minas figura como o Estado campeão em desmatamento do bioma, entre 2008 e maio de 2010, com 12,5 mil hectares suprimidos de um total de 20,8 mil hectares. O resultado foi atribuído, principalmente, à transformação da mata nativa em carvão para abastecer a indústria siderúrgica do Estado.
O diretor da SOS Mata Atlântica, Mário Mantovani, classificou como um "desastre" a lei promulgada. Para ele, "não é uma questão de ambientalistas contra desenvolvimento", como argumentam os defensores do projeto. "A lei não trará desenvolvimento, mas sim uma atividade marginal, com famílias dentro de fornos de carvão", criticou.
O autor do projeto, deputado estadual Gil Pereira (PP), alega que a nova legislação vem apenas "fazer justiça" com o que sempre ocorreu no norte de Minas. "São áreas que já foram mexidas, é o chamado capoeirão, que é só mato ralo", disse. "A lei apenas cria oportunidades para agricultores, pessoas que já trabalhavam antes nessas áreas poderão voltar a trabalhar e produzir", acrescentou.
Concorrência
Para a Superintendência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em Minas, em caso de concorrência com a legislação federal, os Estados podem adotar leis específicas para seu território, desde que sejam mais restritivas que a lei geral. "O fundamento básico foi contrariado", destacou o superintende Alison José Coutinho. "Vou continuar aplicando a legislação federal, e com certeza haverá conflitos".
O Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Meio Ambiente do Ministério Público Estadual estuda encaminhar representação à Procuradoria-Geral da República solicitando o ajuizamento de ação direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF).
A SOS Mata Atlântica também promete questionar judicialmente a constitucionalidade da lei. Diante da polêmica, o governador Antonio Anastasia (PSDB) decidiu não sancionar e nem vetar o projeto aprovado, que foi devolvido ao Legislativo. Anastasia disse que como a proposta partiu e foi aprovada pela Assembleia, achou mais adequado que o próprio Legislativo promulgasse a lei.
O Legislativo mineiro divulgou nota hoje observando que "exaurido o prazo, sem manifestações do Executivo, é obrigação constitucional, indeclinável, da presidência" da Casa promulgar as leis (Com informações da Agência Estado).
Polêmico, o projeto de lei aprovado em junho pelo legislativo mineiro recebeu críticas de ambientalistas, que o consideraram inconstitucional, pois permite o desmatamento de até 70% da área coberta pela vegetação, como prevê a legislação estadual, mais permissiva do que a federal.
A Mata Seca foi incluída na área de preservação da vegetação nativa da Mata Atlântica pelo Decreto Federal 6.660, de novembro de 2008. Conforme o Instituto Estadual de Florestas (IEF), a área remanescente corresponde a 48% da área original.
Desmatamento
Na pesquisa da Fundação SOS Mata Atlântica divulgada em maio, Minas figura como o Estado campeão em desmatamento do bioma, entre 2008 e maio de 2010, com 12,5 mil hectares suprimidos de um total de 20,8 mil hectares. O resultado foi atribuído, principalmente, à transformação da mata nativa em carvão para abastecer a indústria siderúrgica do Estado.
O diretor da SOS Mata Atlântica, Mário Mantovani, classificou como um "desastre" a lei promulgada. Para ele, "não é uma questão de ambientalistas contra desenvolvimento", como argumentam os defensores do projeto. "A lei não trará desenvolvimento, mas sim uma atividade marginal, com famílias dentro de fornos de carvão", criticou.
O autor do projeto, deputado estadual Gil Pereira (PP), alega que a nova legislação vem apenas "fazer justiça" com o que sempre ocorreu no norte de Minas. "São áreas que já foram mexidas, é o chamado capoeirão, que é só mato ralo", disse. "A lei apenas cria oportunidades para agricultores, pessoas que já trabalhavam antes nessas áreas poderão voltar a trabalhar e produzir", acrescentou.
Concorrência
Para a Superintendência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em Minas, em caso de concorrência com a legislação federal, os Estados podem adotar leis específicas para seu território, desde que sejam mais restritivas que a lei geral. "O fundamento básico foi contrariado", destacou o superintende Alison José Coutinho. "Vou continuar aplicando a legislação federal, e com certeza haverá conflitos".
O Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Meio Ambiente do Ministério Público Estadual estuda encaminhar representação à Procuradoria-Geral da República solicitando o ajuizamento de ação direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF).
A SOS Mata Atlântica também promete questionar judicialmente a constitucionalidade da lei. Diante da polêmica, o governador Antonio Anastasia (PSDB) decidiu não sancionar e nem vetar o projeto aprovado, que foi devolvido ao Legislativo. Anastasia disse que como a proposta partiu e foi aprovada pela Assembleia, achou mais adequado que o próprio Legislativo promulgasse a lei.
O Legislativo mineiro divulgou nota hoje observando que "exaurido o prazo, sem manifestações do Executivo, é obrigação constitucional, indeclinável, da presidência" da Casa promulgar as leis (Com informações da Agência Estado).
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Ministério da Agricultura faz história em 150 anos
Brasília - Na próxima quarta-feira, 28 de julho, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento completa 150 anos. A data é considerada um marco na história, desde o Império, e será comemorada em solenidades oficiais em todas as 27 capitais brasileiras e, em Brasília, recebe homenagens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro Wagner Rossi. Nessas 15 décadas, a produção agropecuária brasileira ganha destaque no mundo e promete manter-se como um dos setores mais produtivos e importantes da economia brasileira.
“A história da agricultura brasileira é uma saga de vitórias construídas pela integração do espírito empreendedor dos produtores rurais, do apoio firme do governo e da pesquisa científica para o desenvolvimento de tecnologias adequadas às nossas condições de solo e clima”, destaca Wagner Rossi. “O Ministério da Agricultura foi o grande agente público dessa união”.
O desenvolvimento do setor começou a ganhar contornos expressivos dentro do governo em 1860. À época, predominavam os interesses dos senhores de engenho, no Nordeste, e dos aristocratas do café, no Centro-Sul do País. A lavoura de cana-de-açúcar já se apresentava em declínio por conta dos preços no mercado internacional. O café, em plena ascensão, beneficiava-se da alta de preços ocasionada pela desorganização do Haiti, um dos maiores produtores do grão.
Nascimento
O ministro Wagner Rossi lembra que a conjuntura política, econômica e social daquela época configurava uma séria crise, cujo desdobramento impôs a necessidade de incentivar e racionalizar a agricultura brasileira. Por isso, o governo imperial tomou medidas, como a criação dos institutos imperiais de pesquisa agrícola e estatística e do ministério, inicialmente denominado Secretaria de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas. O Decreto 1.067 foi assinado pelo Imperador Dom Pedro II, em 28 de julho.
Herói da Guerra do Paraguai, Joaquim José Inácio de Barros, o visconde de Inhaúma, foi o primeiro titular da Agricultura. Ele relatou à Assembleia Legislativa as dificuldades do setor, defendendo a necessidade de uma política de crédito agrícola, expansão do sistema viário e implantação do ensino e experimentação agrícola. O visconde trabalhou pela adoção de um sistema de instrução, teórico e prático para os agricultores. Sua idéia era permitir o emprego do capital e o aproveitamento dos novos processos de cultivo, mecanização e outras informações oferecidas pelas escolas de agricultura e veterinária, as chamadas fazendas-modelo.
Em 1909, o Decreto 7.501 recriou a pasta da Agricultura, incorporando as atividades da indústria e do comércio, com a designação de Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio. Com a revolução de 1930, o órgão passou a compor a estrutura governamental da República, com alteração do nome para Ministério da Agricultura.
A partir dos anos 90, o órgão foi rebatizado. Em 1992, passou a se chamar Ministério da Agricultura, Abastecimento e Reforma Agrária (Mara). Quatro anos depois, foi chamado Ministério da Agricultura e do Abastecimento (MAA). Finalmente, em 2001, o órgão ganhou a denominação atual: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Para o ex-ministro Roberto Rodrigues (2003/2006), a agricultura é, historicamente, umas das principais bases da economia brasileira. “Com um século e meio de existência, o ministério tem sido um dínamo nesse processo, que colocou o Brasil no cenário privilegiado das maiores nações agrícolas”, afirma.
Vanguarda
Rodrigues diz que a posição estratégica do ministério, frente às demandas dos produtores rurais brasileiros e dos consumidores do mundo, garante o respeito e admiração de todos que acompanharam suas ações nas últimas 15 décadas. “Os saltos de qualidade que a agropecuária brasileira apresentou nos últimos 20 anos é espetacular e assombra o mundo. Enquanto área plantada de grãos, cresceu 25% e, em produção, aumentou 147%”, ressalta.
De acordo com o ministro Wagner Rossi, alguns dos aspectos centrais no desenvolvimento da agricultura brasileira nos últimos anos estão na fartura de recursos naturais, além da competência do produtor rural e, sobretudo, no domínio da melhor tecnologia agropecuária do mundo tropical. Ele ressalta que, além da criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que impulsionou o desenvolvimento de tecnologia apropriada às diferentes regiões do País, o Ministério da Agricultura promoveu o funcionamento de mecanismos indispensáveis ao desenvolvimento do setor.
O ex-ministro Luís Carlos Guedes Pinto (2006/2007) destaca outros mecanismos também fundamentais, como o incentivo à difusão da tecnologia, o crédito rural, os instrumentos de sustentação de preços, além da defesa sanitária animal e vegetal e o desenvolvimento do associativismo e cooperativismo rural. “Se no passado essa contribuição foi fundamental, é impossível imaginar o futuro sem o desenvolvimento de tecnologias de vanguarda. O desempenho do Ministério da Agricultura deve-se à qualidade do seu quadro funcional, da administração direta e indireta, que atua de forma qualificada e competente”, avalia.
Resultados
O empenho do governo federal ao longo dos últimos anos para instrumentalizar as políticas públicas do setor rural gerou resultados expressivos. O Brasil hoje ocupa o primeiro lugar no ranking de exportação do açúcar, café em grãos, carne bovina, carne de frango, suco de laranja, tabaco e etanol. É vice-líder global na venda de soja, está na terceira posição, no ranking mundial, nos embarques de milho e em quarto lugar nas exportações de carne suína.
Um dos aspectos notáveis no sucesso recente da agricultura nacional é o aumento da produtividade, que teve papel fundamental no crescimento da produção agrícola brasileira. Entre 1990 e 2009, a área plantada de grãos subiu 1,7% ao ano, enquanto a produção cresceu 4,7%. Entre 2000 e 2005 a safra de soja e o aumento da produção de carnes foram os principais responsáveis pelo avanço na exportação agrícola, reforçando a economia nacional.
No chamado complexo soja (grãos, farelo e óleo), as exportações mais que quadruplicaram, saindo de US$ 4,2 bilhões, em 2000, para US$ 17,2 bilhões, no ano passado. As vendas de carne bovina saltaram de US$ 813 milhões, no início desta década, para US$ 4,2 bilhões. As exportações de carnes de frango tiveram aumento expressivo, pulando de US$ 735 milhões para US$ 5,8 bilhões. “Saímos de uma posição irrelevante para nos tornarmos o maior exportador mundial de carne bovina e de frango”, aponta o ex-ministro Francisco Turra (1998/1999). Ele lembra que, nesse período, o Brasil obteve a certificação da Organização Internacional de Sanidade Animal (OIE) para exportar.
É por conta desse desempenho que o Brasil vem sendo apontado pela FAO, o órgão das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, como um dos grandes produtores de alimentos no planeta na próxima década. Segundo estudos da Assessoria de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura, em 2020 a produção nacional de carnes deverá suprir 44,5% do mercado mundial.
Ainda de acordo com o Ministério da Agricultura, a safra de grãos (soja, milho, trigo, arroz e feijão) deverá crescer nos próximos anos 36,7%, saltando de 129,8 milhões de toneladas em 2009 para 177,5 milhões de toneladas em 2020. Três outros produtos nacionais que deverão ter um incremento expressivo no mercado mundial de alimentos são açúcar (15,2 milhões de toneladas), etanol (35,2 bilhões de litros) e leite (7,4 bilhões de litros). (Inez De Podestà)
“A história da agricultura brasileira é uma saga de vitórias construídas pela integração do espírito empreendedor dos produtores rurais, do apoio firme do governo e da pesquisa científica para o desenvolvimento de tecnologias adequadas às nossas condições de solo e clima”, destaca Wagner Rossi. “O Ministério da Agricultura foi o grande agente público dessa união”.
O desenvolvimento do setor começou a ganhar contornos expressivos dentro do governo em 1860. À época, predominavam os interesses dos senhores de engenho, no Nordeste, e dos aristocratas do café, no Centro-Sul do País. A lavoura de cana-de-açúcar já se apresentava em declínio por conta dos preços no mercado internacional. O café, em plena ascensão, beneficiava-se da alta de preços ocasionada pela desorganização do Haiti, um dos maiores produtores do grão.
Nascimento
O ministro Wagner Rossi lembra que a conjuntura política, econômica e social daquela época configurava uma séria crise, cujo desdobramento impôs a necessidade de incentivar e racionalizar a agricultura brasileira. Por isso, o governo imperial tomou medidas, como a criação dos institutos imperiais de pesquisa agrícola e estatística e do ministério, inicialmente denominado Secretaria de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas. O Decreto 1.067 foi assinado pelo Imperador Dom Pedro II, em 28 de julho.
Herói da Guerra do Paraguai, Joaquim José Inácio de Barros, o visconde de Inhaúma, foi o primeiro titular da Agricultura. Ele relatou à Assembleia Legislativa as dificuldades do setor, defendendo a necessidade de uma política de crédito agrícola, expansão do sistema viário e implantação do ensino e experimentação agrícola. O visconde trabalhou pela adoção de um sistema de instrução, teórico e prático para os agricultores. Sua idéia era permitir o emprego do capital e o aproveitamento dos novos processos de cultivo, mecanização e outras informações oferecidas pelas escolas de agricultura e veterinária, as chamadas fazendas-modelo.
Em 1909, o Decreto 7.501 recriou a pasta da Agricultura, incorporando as atividades da indústria e do comércio, com a designação de Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio. Com a revolução de 1930, o órgão passou a compor a estrutura governamental da República, com alteração do nome para Ministério da Agricultura.
A partir dos anos 90, o órgão foi rebatizado. Em 1992, passou a se chamar Ministério da Agricultura, Abastecimento e Reforma Agrária (Mara). Quatro anos depois, foi chamado Ministério da Agricultura e do Abastecimento (MAA). Finalmente, em 2001, o órgão ganhou a denominação atual: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Para o ex-ministro Roberto Rodrigues (2003/2006), a agricultura é, historicamente, umas das principais bases da economia brasileira. “Com um século e meio de existência, o ministério tem sido um dínamo nesse processo, que colocou o Brasil no cenário privilegiado das maiores nações agrícolas”, afirma.
Vanguarda
Rodrigues diz que a posição estratégica do ministério, frente às demandas dos produtores rurais brasileiros e dos consumidores do mundo, garante o respeito e admiração de todos que acompanharam suas ações nas últimas 15 décadas. “Os saltos de qualidade que a agropecuária brasileira apresentou nos últimos 20 anos é espetacular e assombra o mundo. Enquanto área plantada de grãos, cresceu 25% e, em produção, aumentou 147%”, ressalta.
De acordo com o ministro Wagner Rossi, alguns dos aspectos centrais no desenvolvimento da agricultura brasileira nos últimos anos estão na fartura de recursos naturais, além da competência do produtor rural e, sobretudo, no domínio da melhor tecnologia agropecuária do mundo tropical. Ele ressalta que, além da criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que impulsionou o desenvolvimento de tecnologia apropriada às diferentes regiões do País, o Ministério da Agricultura promoveu o funcionamento de mecanismos indispensáveis ao desenvolvimento do setor.
O ex-ministro Luís Carlos Guedes Pinto (2006/2007) destaca outros mecanismos também fundamentais, como o incentivo à difusão da tecnologia, o crédito rural, os instrumentos de sustentação de preços, além da defesa sanitária animal e vegetal e o desenvolvimento do associativismo e cooperativismo rural. “Se no passado essa contribuição foi fundamental, é impossível imaginar o futuro sem o desenvolvimento de tecnologias de vanguarda. O desempenho do Ministério da Agricultura deve-se à qualidade do seu quadro funcional, da administração direta e indireta, que atua de forma qualificada e competente”, avalia.
Resultados
O empenho do governo federal ao longo dos últimos anos para instrumentalizar as políticas públicas do setor rural gerou resultados expressivos. O Brasil hoje ocupa o primeiro lugar no ranking de exportação do açúcar, café em grãos, carne bovina, carne de frango, suco de laranja, tabaco e etanol. É vice-líder global na venda de soja, está na terceira posição, no ranking mundial, nos embarques de milho e em quarto lugar nas exportações de carne suína.
Um dos aspectos notáveis no sucesso recente da agricultura nacional é o aumento da produtividade, que teve papel fundamental no crescimento da produção agrícola brasileira. Entre 1990 e 2009, a área plantada de grãos subiu 1,7% ao ano, enquanto a produção cresceu 4,7%. Entre 2000 e 2005 a safra de soja e o aumento da produção de carnes foram os principais responsáveis pelo avanço na exportação agrícola, reforçando a economia nacional.
No chamado complexo soja (grãos, farelo e óleo), as exportações mais que quadruplicaram, saindo de US$ 4,2 bilhões, em 2000, para US$ 17,2 bilhões, no ano passado. As vendas de carne bovina saltaram de US$ 813 milhões, no início desta década, para US$ 4,2 bilhões. As exportações de carnes de frango tiveram aumento expressivo, pulando de US$ 735 milhões para US$ 5,8 bilhões. “Saímos de uma posição irrelevante para nos tornarmos o maior exportador mundial de carne bovina e de frango”, aponta o ex-ministro Francisco Turra (1998/1999). Ele lembra que, nesse período, o Brasil obteve a certificação da Organização Internacional de Sanidade Animal (OIE) para exportar.
É por conta desse desempenho que o Brasil vem sendo apontado pela FAO, o órgão das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, como um dos grandes produtores de alimentos no planeta na próxima década. Segundo estudos da Assessoria de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura, em 2020 a produção nacional de carnes deverá suprir 44,5% do mercado mundial.
Ainda de acordo com o Ministério da Agricultura, a safra de grãos (soja, milho, trigo, arroz e feijão) deverá crescer nos próximos anos 36,7%, saltando de 129,8 milhões de toneladas em 2009 para 177,5 milhões de toneladas em 2020. Três outros produtos nacionais que deverão ter um incremento expressivo no mercado mundial de alimentos são açúcar (15,2 milhões de toneladas), etanol (35,2 bilhões de litros) e leite (7,4 bilhões de litros). (Inez De Podestà)
terça-feira, 20 de julho de 2010
Um grito contra a desigualdade entre campo e cidade
Carta do Zé agricultor para Luis da cidade
A carta a seguir - tão somente adaptada por Barbosa Melo - foi escrita por Luciano Pizzatto que é engenheiro florestal, especialista em direito sócio ambiental e empresário, diretor de Parques Nacionais e Reservas do IBDF/IBAMA 88/89, deputado desde 1989, detentor do 1º Prêmio Nacional de Ecologia.
Carta do Zé agricultor para Luis da cidade
Prezado Luis, quanto tempo.
Eu sou o Zé, teu colega de ginásio noturno, que chegava atrasado, porque o transporte escolar do sítio sempre atrasava, lembra né? O Zé do sapato sujo? Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a pé mais de meia légua para pegar o caminhão por isso o sapato sujava.
Se não lembrou ainda eu te ajudo. Lembra do Zé Cochilo... hehehe, era eu. Quando eu descia do caminhão de volta pra casa, já era onze e meia da noite, e com a caminhada até em casa, quando eu ia dormi já era mais de meia-noite. De madrugada o pai precisava de ajuda pra tirar leite das vacas. Por isso eu só vivia com sono. Do Zé Cochilo você lembra né Luis?
Pois é. Estou pensando em mudar para viver ai na cidade que nem vocês. Não que seja ruim o sítio, aqui é bom. Muito mato, passarinho, ar puro... Só que acho que estou estragando muito a tua vida e a de teus amigos ai da cidade. To vendo todo mundo falar que nós da agricultura familiar estamos destruindo o meio ambiente.
Veja só. O sítio de pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que parar de estudar) fica só a uma hora de distância da cidade. Todos os matutos daqui já têm luz em casa, mas eu continuo sem ter porque não se pode fincar os postes por dentro uma tal de APPA que criaram aqui na vizinhança.
Minha água é de um poço que meu avô cavou há muitos anos, uma maravilha, mas um homem do governo veio aqui e falou que tenho que fazer uma outorga da água e pagar uma taxa de uso, porque a água vai se acabar. Se ele falou deve ser verdade, né Luis?
Pra ajudar com as vacas de leite (o pai se foi, né .) contratei Juca, filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Carteira assinada, salário mínimo, tudo direitinho como o contador mandou. Ele morava aqui com nós num quarto dos fundos de casa. Comia com a gente, que nem da família. Mas vieram umas pessoas aqui, do sindicato e da Delegacia do Trabalho, elas falaram que se o Juca fosse tirar leite das vacas às 5 horas tinha que receber hora extra noturna, e que não podia trabalhar nem sábado nem domingo, mas as vacas daqui não sabem os dias da semana ai não param de fazer leite. Ô, bichos aí da cidade sabem se guiar pelo calendário?
Essas pessoas ainda foram ver o quarto de Juca, e disseram que o beliche tava 2 cm menor do que devia. Nossa! Eu não sei como encumpridar uma cama, só comprando outra né Luis? O candeeiro eles disseram que não podia acender no quarto, que tem que ser luz elétrica, que eu tenho que ter um gerador pra ter luz boa no quarto do Juca.
Disseram ainda que a comida que a gente fazia e comia juntos tinha que fazer parte do salário dele. Bom Luis, tive que pedir ao Juca pra voltar pra casa, desempregado, mas muito bem protegido pelos sindicatos, pelo fiscais e pelas leis. Mas eu acho que não deu muito certo. Semana passada me disseram que ele foi preso na cidade porque botou um chocolate no bolso no supermercado. Levaram ele pra delegacia, bateram nele e não apareceu nem sindicato nem fiscal do trabalho para acudi-lo.
Depois que o Juca saiu eu e Marina (lembra dela, né? casei) tiramos o leite às 5 e meia, ai eu levo o leite de carroça até a beira da estrada onde o carro da cooperativa pega todo dia, isso se não chover. Se chover, perco o leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava, hoje eu jogo fora.
Os porcos eu não tenho mais, pois veio outro homem e disse que a distância do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros. Disse que eu tinha que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30 metros de distância do rio, e ainda tinha que fazer umas coisas pra proteger o rio, um tal de digestor. Achei que ele tava certo e disse que ia fazer, mas só que eu sozinho ia demorar uns trinta dia pra fazer, mesmo assim ele ainda me multou, e pra poder pagar eu tive que vender os porcos as madeiras e as telhas do chiqueiro, fiquei só com as vacas. O promotor disse que desta vez, por esse crime, ele não ai mandar me prender, mas me obrigou a dar 6 cestas básicas pro orfanato da cidade. Ô Luis, ai quando vocês sujam o rio também pagam multa grande né?
Agora pela água do meu poço eu até posso pagar, mas tô preocupado com a água do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital, todo protegido, com mata ciliar dos dois lados. As vacas agora não podem chegar no rio pra não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar limpinho como os rios ai da cidade. A pocilga já acabou, as vacas não podem chegar perto. Só que alguma coisa tá errada, quando vou na capital nem vejo mata ciliar, nem rio limpo. Só vejo água fedida e lixo boiando pra todo lado.
Mas não é o povo da cidade que suja o rio, né Luis? Quem será? Aqui no mato agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão. Cortar árvore então, Nossa Senhora!. Tinha uma árvore grande ao lado de casa que murchou e tava morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a madeira antes dela cair por cima da casa.
Fui no escritório daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, fui no Ibama da capital, preenchi uns papéis e voltei para esperar o fiscal vim fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar. Passaram 8 meses e ninguém apareceu pra fazer o tal laudo ai eu vi que o pau ia cair em cima da casa e derrubei. Pronto! No outro dia chegou o fiscal e me multou. Já recebi uma intimação do
Promotor porque virei criminoso reincidente. Primeiro foi os porcos, e agora foi o pau. Acho que desta vez vou ficar preso.
Tô preocupado Luis, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de 500 a 20 mil reais por hectare e por dia. Calculei que se eu for multado eu perco o sítio numa semana. Então é melhor vender, e ir morar onde todo mundo cuida da ecologia. Vou para a cidade, ai tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazer nada errado, só falei dessas coisas porque tenho certeza que a lei é pra todos.
Eu vou morar ai com vocês, Luis. Mais fique tranqüilo, vou usar o dinheiro da venda do sítio primeiro pra comprar essa tal de geladeira. Aqui no sitio eu tenho que pegar tudo na roça. Primeiro a gente planta, cultiva, limpa e só depois colhe pra levar pra casa. Ai é bom que vocês e só abrir a geladeira que tem tudo. Nem dá trabalho, nem planta, nem cuida de galinha, nem porco, nem vaca é só abri a geladeira que a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nós, os criminosos aqui da roça.
Até mais Luis.
Ah, desculpe Luis, não pude mandar a carta com papel reciclado pois não existe por aqui, mas me aguarde até eu vender o sítio.
(Todos os fatos e situações de multas e exigências são baseados em dados verdadeiros. A sátira não visa atenuar responsabilidades, mas alertar o quanto o tratamento ambiental é desigual e discricionário entre o meio rural e o meio urbano.)
A carta a seguir - tão somente adaptada por Barbosa Melo - foi escrita por Luciano Pizzatto que é engenheiro florestal, especialista em direito sócio ambiental e empresário, diretor de Parques Nacionais e Reservas do IBDF/IBAMA 88/89, deputado desde 1989, detentor do 1º Prêmio Nacional de Ecologia.
Carta do Zé agricultor para Luis da cidade
Prezado Luis, quanto tempo.
Eu sou o Zé, teu colega de ginásio noturno, que chegava atrasado, porque o transporte escolar do sítio sempre atrasava, lembra né? O Zé do sapato sujo? Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a pé mais de meia légua para pegar o caminhão por isso o sapato sujava.
Se não lembrou ainda eu te ajudo. Lembra do Zé Cochilo... hehehe, era eu. Quando eu descia do caminhão de volta pra casa, já era onze e meia da noite, e com a caminhada até em casa, quando eu ia dormi já era mais de meia-noite. De madrugada o pai precisava de ajuda pra tirar leite das vacas. Por isso eu só vivia com sono. Do Zé Cochilo você lembra né Luis?
Pois é. Estou pensando em mudar para viver ai na cidade que nem vocês. Não que seja ruim o sítio, aqui é bom. Muito mato, passarinho, ar puro... Só que acho que estou estragando muito a tua vida e a de teus amigos ai da cidade. To vendo todo mundo falar que nós da agricultura familiar estamos destruindo o meio ambiente.
Veja só. O sítio de pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que parar de estudar) fica só a uma hora de distância da cidade. Todos os matutos daqui já têm luz em casa, mas eu continuo sem ter porque não se pode fincar os postes por dentro uma tal de APPA que criaram aqui na vizinhança.
Minha água é de um poço que meu avô cavou há muitos anos, uma maravilha, mas um homem do governo veio aqui e falou que tenho que fazer uma outorga da água e pagar uma taxa de uso, porque a água vai se acabar. Se ele falou deve ser verdade, né Luis?
Pra ajudar com as vacas de leite (o pai se foi, né .) contratei Juca, filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Carteira assinada, salário mínimo, tudo direitinho como o contador mandou. Ele morava aqui com nós num quarto dos fundos de casa. Comia com a gente, que nem da família. Mas vieram umas pessoas aqui, do sindicato e da Delegacia do Trabalho, elas falaram que se o Juca fosse tirar leite das vacas às 5 horas tinha que receber hora extra noturna, e que não podia trabalhar nem sábado nem domingo, mas as vacas daqui não sabem os dias da semana ai não param de fazer leite. Ô, bichos aí da cidade sabem se guiar pelo calendário?
Essas pessoas ainda foram ver o quarto de Juca, e disseram que o beliche tava 2 cm menor do que devia. Nossa! Eu não sei como encumpridar uma cama, só comprando outra né Luis? O candeeiro eles disseram que não podia acender no quarto, que tem que ser luz elétrica, que eu tenho que ter um gerador pra ter luz boa no quarto do Juca.
Disseram ainda que a comida que a gente fazia e comia juntos tinha que fazer parte do salário dele. Bom Luis, tive que pedir ao Juca pra voltar pra casa, desempregado, mas muito bem protegido pelos sindicatos, pelo fiscais e pelas leis. Mas eu acho que não deu muito certo. Semana passada me disseram que ele foi preso na cidade porque botou um chocolate no bolso no supermercado. Levaram ele pra delegacia, bateram nele e não apareceu nem sindicato nem fiscal do trabalho para acudi-lo.
Depois que o Juca saiu eu e Marina (lembra dela, né? casei) tiramos o leite às 5 e meia, ai eu levo o leite de carroça até a beira da estrada onde o carro da cooperativa pega todo dia, isso se não chover. Se chover, perco o leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava, hoje eu jogo fora.
Os porcos eu não tenho mais, pois veio outro homem e disse que a distância do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros. Disse que eu tinha que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30 metros de distância do rio, e ainda tinha que fazer umas coisas pra proteger o rio, um tal de digestor. Achei que ele tava certo e disse que ia fazer, mas só que eu sozinho ia demorar uns trinta dia pra fazer, mesmo assim ele ainda me multou, e pra poder pagar eu tive que vender os porcos as madeiras e as telhas do chiqueiro, fiquei só com as vacas. O promotor disse que desta vez, por esse crime, ele não ai mandar me prender, mas me obrigou a dar 6 cestas básicas pro orfanato da cidade. Ô Luis, ai quando vocês sujam o rio também pagam multa grande né?
Agora pela água do meu poço eu até posso pagar, mas tô preocupado com a água do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital, todo protegido, com mata ciliar dos dois lados. As vacas agora não podem chegar no rio pra não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar limpinho como os rios ai da cidade. A pocilga já acabou, as vacas não podem chegar perto. Só que alguma coisa tá errada, quando vou na capital nem vejo mata ciliar, nem rio limpo. Só vejo água fedida e lixo boiando pra todo lado.
Mas não é o povo da cidade que suja o rio, né Luis? Quem será? Aqui no mato agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão. Cortar árvore então, Nossa Senhora!. Tinha uma árvore grande ao lado de casa que murchou e tava morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a madeira antes dela cair por cima da casa.
Fui no escritório daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, fui no Ibama da capital, preenchi uns papéis e voltei para esperar o fiscal vim fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar. Passaram 8 meses e ninguém apareceu pra fazer o tal laudo ai eu vi que o pau ia cair em cima da casa e derrubei. Pronto! No outro dia chegou o fiscal e me multou. Já recebi uma intimação do
Promotor porque virei criminoso reincidente. Primeiro foi os porcos, e agora foi o pau. Acho que desta vez vou ficar preso.
Tô preocupado Luis, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de 500 a 20 mil reais por hectare e por dia. Calculei que se eu for multado eu perco o sítio numa semana. Então é melhor vender, e ir morar onde todo mundo cuida da ecologia. Vou para a cidade, ai tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazer nada errado, só falei dessas coisas porque tenho certeza que a lei é pra todos.
Eu vou morar ai com vocês, Luis. Mais fique tranqüilo, vou usar o dinheiro da venda do sítio primeiro pra comprar essa tal de geladeira. Aqui no sitio eu tenho que pegar tudo na roça. Primeiro a gente planta, cultiva, limpa e só depois colhe pra levar pra casa. Ai é bom que vocês e só abrir a geladeira que tem tudo. Nem dá trabalho, nem planta, nem cuida de galinha, nem porco, nem vaca é só abri a geladeira que a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nós, os criminosos aqui da roça.
Até mais Luis.
Ah, desculpe Luis, não pude mandar a carta com papel reciclado pois não existe por aqui, mas me aguarde até eu vender o sítio.
(Todos os fatos e situações de multas e exigências são baseados em dados verdadeiros. A sátira não visa atenuar responsabilidades, mas alertar o quanto o tratamento ambiental é desigual e discricionário entre o meio rural e o meio urbano.)
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