domingo, 9 de dezembro de 2012

MG produz 14% da lichia do País.

Tradicional produtor agrícola, principalmente do café, Minas Gerais vem se destacando também em outra atividade pouco convencional. A produção de lichia. O estado representa 14% da fruta produzida no País ficando atrás apenas do estado de São Paulo. A informação é do programa Globo Rural, da TV Globo, desta sexta-feira, 7 de dezembro.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Feira Nacional da Agricultura Familiar quer estimular negócios

A 8ª Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma Agrária - Brasil Rural Contemporâneo começa nesta quarta-feira (21), na Marina da Glória, com a expectativa de atrair 150 mil visitantes, superando o recorde de 120 mil pessoas registrado em 2009, em outra edição também realizada no Rio. A ênfase, este ano, será a realização de negócios, segundo informou à Agência Brasil o coordenador-geral do evento, Arnoldo de Campos, diretor do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Será a terceira edição da Brasil Rural Contemporâneo a ocorrer no Rio de Janeiro. As outras cinco foram feitas em Brasília. O evento termina no dia 25. “Serão 654 expositores de todos os estados do Brasil, que vão trazer vários tipos de produtos, como alimentos, bebidas, artesanato e cosméticos”, explicou. Quarenta por cento dos expositores são produtores orgânicos ou agroecológicos com certificação. Em conjunto com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o ministério está criando pela primeira vez um espaço específico na Brasil Rural Contemporâneo para receber o setor privado, chamado Talentos do Brasil Rural. “Nesse espaço, a gente vai receber empresas, entidades empresariais. Estamos mobilizando o setor supermercadista e o setor hoteleiro para fechar negócios”. O MDA pretende atrair os segmentos de bares e restaurantes e empreendimentos da alta gastronomia para que conheçam os produtos diversificados das várias regiões brasileiras que serão apresentados. “Hoje está muito forte esse movimento em torno da culinária brasileira, com ingredientes sustentáveis, regionais, típicos. Isso tudo vai estar presente lá”, lembrou Campos. Segundo enfatizou o coordenador, a feira visava, especialmente, apresentar a agricultura familiar para o público. “Agora, a gente está trabalhando para que ela também seja uma feira de negócios, aproximando oferta e demanda, encurtando as cadeias produtivas. A gente está sentindo diversos setores demandando esse tipo de produtos, mas não têm o conhecimento de onde está essa oferta”, explicou. A Brasil Rural Contemporâneo pretende superar o volume de negócios de R$ 9 milhões da sua última edição no Rio, em 2009, alcançando agora R$ 15 milhões. A ideia é tornar a feira cada vez mais itinerante. Arnoldo de Campos adiantou, inclusive, que, no ano que vem, há grande chance de ela ser organizada em São Paulo, aproveitando o fato de a capital paulista ser o maior mercado consumidor do país. Outra possibilidade em análise é promover o evento em cada cidade que sediará os jogos da Copa do Mundo de Futebol. “Em 2014, a gente está pensando em uma estratégia de fazer feiras menores, mas simultaneamente em mais cidades”. O assunto já começou a ser debatido com a Federação Internacional de Futebol (Fifa). “Nós vamos lançar na feira uma campanha de consumo sustentável, valorizando produtos orgânicos brasileiros, da agricultura familiar, do comércio justo”. Para Campos, esse será um atrativo a mais para o público que visitará as cidades durante os jogos.(Alana Gandra/Agência Brasil)

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Financiamentos para Programa ABC somam R$ 600 mi

As contratações do crédito rural para o Programa Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC) totalizam R$ 600,6 milhões entre julho e setembro deste ano. Os números mostram que os financiamentos representam 17,7% dos R$ 3,4 bilhões autorizados ao programa para a safra 2012/13. No total, a agricultura empresarial somou R$ 26,5 bilhões nos meses de julho a setembro deste ano e superou em 14,7% o volume contratado em igual período no ano passado, que foi de R$ 23,1 bilhões. Os dados foram divulgados pelo Departamento de Economia Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), nesta terça-feira, dia 06 novembro. O desembolso representa 23% do montante de R$ 115,2 bilhões programados para o ano-safra 2012/2013. A região Sudeste é a que mais buscou crédito do Programa ABC para financiar as lavouras. Com juros mais baratos, os agricultores tomaram R$ 8,4 milhões. O destaque do Sudeste é o estado de Minas Gerais que no período contratou R$ 10,2 milhões. Na sequência das regiões, o Centro-Oeste e o Sul ocupam, respectivamente, a segunda e terceira colocação no ranking brasileiro de tomadores deste empréstimo. Nessas regiões, os estados que mais se destacaram na busca pelo financiamento foram o Mato Grosso do Sul, com R$ 3,7 milhões, e o Rio Grande do Sul, com R$ 2,4 milhões. O fortalecimento do ABC para melhor atender o seu objetivo, entre os quais a recuperação de pastagens degradadas, veio por meio de mais recursos e da redução da taxa de juros que passou de 5,5% para 5% ao ano. Atento a essas condições facilitadas, o produtor Luiz Carlos Teixeira, 52 anos, desenvolveu o projeto com o apoio da Emater mineira para plantar eucaliptos e fazer a recuperação de pastagens em 43 hectares de uma propriedade localizada no município de Curvilo, no centro-norte de Minas Gerais. Teixeira conta que a área onde ocorrerá o plantio é um terreno degradado, onde foi feito o desmatamento para brotar pastagem para o gado. “Com o plantio de eucalipto e de pastagem vamos recuperar a área e isso graças aos recursos que virão da linha de financiamento do Programa ABC”, disse. Além de enxergar o fator econômico no plantio de florestas, como forma de diversificar sua produção baseada na plantação de cana-de-açúcar, na produção de leite e gado de corte,Teixeira defende a prática como forma de diminuir a pressão pelo desmatamento da região. Os R$ 192 mil, com três anos de carência, serão aplicados na produção sustentável, assim, segundo ele, se protege aquelas áreas que ainda não foram cortadas. A expectativa é de que outros produtores sigam o exemplo de Teixeira e busquem recursos para a implementação de práticas sustentáveis de produção ao longo deste ano. Na avaliação do secretário de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo (SDC) do Ministério da Agricultura, Caio Rocha, as medidas aprovadas pelo Governo Federal, sobretudo a ampliação de recursos e a redução dos juros das linhas de crédito disponíveis para financiar a agricultura, são determinantes para a ampliação da demanda por crédito e, neste caso específico, pelos financiamentos oriundo do Programa ABC. “Para o ano safra 2012/13, o ministro Mendes Ribeiro Filho determinou a alocação de mais recursos para o Programa e melhores condições para os financiamentos, reforçando o compromisso de fortalecer a agricultura sustentável no País. O resultado é a boa procura pelas operações já nos primeiros três meses deste ano pós lançamento do Plano Agrícola e Pecuário”, avaliou Rocha. Ao todo, estão disponibilizados R$ 3,4 bilhões para o setor. Fonte: Site do Ministério da Agricultura

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Como é possível vencer a falta de chuvas

Anteontem, escrevi neste blog sobre a seca no Norte de Minas Gerais. No dia seguinte, veja que bela matéria que que bom exemplo divulgados pelo jornal Valor Econômico. Tecnologia permite laticínios no deserto
Aqui no deserto ao norte da capital saudita, um calor de 47 graus emana do sol com uma força quase mecânica, como um secador de cabelo. Na estrada de Riade, apenas os camelos permanecem impávidos ao sol do meio-dia. Seus pastores não estão à vista, refugiados em tendas próximas. É sem dúvida um lugar difícil para uma fazenda leiteira. Mas, logo adiante na estrada dos camelos, esse trecho plano de deserto e tamareiras abriga as fazendas de gado e as usinas de processamento da maior produtora de laticínios do Oriente Médio por valor. Na sombra dos galpões abertos de teto metálico, 67.000 vacas malhadas de preto e branco da raça Holstein-Friesian, pertencentes à empresa saudita Almarai Co., andam ao acaso, focinhando o solo em busca de restos de ração, ou ficam deitadas, fitando a areia. Conseguir que uma fazenda leiteira tenha sucesso em um dos lugares mais quentes do planeta - onde, a temperaturas naturais, a produção de leite iria despencar, os produtos estragariam e bactérias perigosas poderiam proliferar - exige levar à tecnologia ao limite, dizem os gerentes da Almarai e os especialistas americanos do ramo. As Holstein-Friesian são, por natureza, vacas leiteiras de alto rendimento. Mas fazer com que continuem produzindo quando a temperatura chega a 48 graus no verão implica mantê-las frescas, confortáveis e limpas. Só automatizando cada momento da produção é que a Almarai consegue operar uma das maiores fazendas leiteiras do mundo - com um total de 135.000 cabeças de gado, incluindo as bezerras ainda não ordenhadas - em um deserto cheio de palmeiras, mas sem nenhum pasto. "Vacas felizes, leite feliz, Almarai feliz. Todo mundo feliz", cantarolou Cicero Chan, subgerente de uma das seis fazendas leiteiras em torno da planta de processamento da Almarai, enquanto percorria os currais e salas de ordenha numa manhã recente. Nos currais, sprays de água, ventiladores e a sombra dos galpões refrescam as vacas, baixando a temperatura para a faixa almejada de 21 a 24 graus. E, quatro vezes por dia, antes de cada ordenha, os empregados fazem as vacas passarem por estruturas metálicas com jatos d'água, para limpá-las do esterco e de qualquer outra coisa que possa contaminar o leite. Mas, entre todas essas tecnologias para as fazendas leiteiras no deserto, o fundamental são os sprays. Usar mangueiras para molhar as vacas criaria um ambiente úmido e favorável às doenças, diz Leslie Butler, especialista em marketing de laticínios da Universidade da Califórnia em Davis. Para controlar tanto o calor como a umidade, as fazendas de laticínios de primeira linha e alta tecnologia do deserto implantam sistemas como os sprays de refrigeração da Korral Kool Inc., firma de Mesa, no Estado americano do Arizona. Cientistas do Arizona a Taiwan trabalharam durante décadas para desenvolver esses sprays. Montados agora no alto dos galpões, os sprays lançam ciclones giratórios de gotículas de água e ar, umedecendo continuamente o couro das vacas para que elas se resfriem e sequem sem formar poças d'água. Computadores ligados aos sprays monitoram as temperaturas e a umidade nos galpões, maximizando o resfriamento convectivo. As vacas leiteiras da Almarai devem cumprir uma quota de pelo menos 40 litros por dia, uma produção normal para as Holsteins, que normalmente produzem o dobro de leite do gado Jersey, preferido pelas fazendas leiteiras da Europa. Em uma das salas de ordenha da Almarai, o gado leiteiro e os empregados trabalham tranquilamente numa rotina em que 50 vacas entram em fila, são ordenhadas e saem dentro de 15 minutos. As vacas se acomodam espontaneamente nas máquinas de ordenhar, fazendo fila lado a lado. Os funcionários então ligam os medidores digitais para registrar a produção de cada vaca, e braços robóticos levantam as ordenhadeiras mecânicas, que são então conectadas pelos empregados. O leite vai depois para câmaras de refrigeração, que o esfriam até cerca de 4 graus dentro de cinco minutos. Passeando pela sala de ordenha, Chan observa uma vaca, identificada pela sua etiqueta de orelha com a número 609, cujo rendimento baixou para menos de um litro por ordenha. Tapando de leve a boca, ele sussurra em tom teatral: "Ham-búr-guer!" - indicando qual o destino das vacas que não atingem a quota. Um pouco mais tarde, ele vê novamente a número 609. Os empregados já a separaram das outras e ela está sozinha debaixo do beiral de um telhado, sacudindo a cabeça. Depois que as vacas são ordenhadas, milhares de vans e dezenas de caminhões-tanque refrigerados entregam leite fresco e em caixa, junto com iogurtes e cremes apreciados no mundo árabe e no Golfo, como "zabadi" e "lebna", e ainda outros produtos lácteos, para 55.000 estabelecimentos em seis países do Golfo Pérsico. A Almarai afirma ser a maior produtora de laticínios integrada verticalmente do mundo. Isso significa que ela supervisiona cada etapa do negócio, até o contato com algum dono de loja que pode querer desligar as geladeiras à noite para economizar dinheiro, diz Alan Bennett, gerente de fábrica da Almarai. No ano passado, a empresa gerou US$ 304 milhões em lucro líquido e US$ 2,1 bilhões em vendas. Os críticos alertam que o alto rendimento da Almarai e de outros empreendimentos agrícolas sauditas tem um custo escondido. Os subsídios governamentais de energia, possibilitados pela riqueza gerada na Arábia Saudita com o petróleo, fornecem energia barata para a indústria e a agricultura do reino, mas contribuem para um elevado consumo de energia doméstica. A agricultura da Arábia Saudita também depende dos lençóis freáticos naturais do país, que estão se esgotando rapidamente. Reconhecendo a exploração intensa dos seus recursos naturais, o governo saudita tomou iniciativas para frear certas atividades agrícolas. Por outro lado, observa Bennett, a Almarai recicla a água das lavagens do gado e de outras instalações da fazenda. Ao mesmo tempo, a ênfase da Almarai nas "vacas felizes" aparentemente não é um slogan vazio escrito na sede da firma, mas parte de um preceito cada vez mais valorizado nas fábricas de laticínios de todo o mundo, diz Butler, o especialista em marketing de produtos lácteos. Ele acrescenta que os produtores de leite da Califórnia também já reconheceram que "o conforto das vacas é o que faz a produção"
. Matéria de: Ellen Knickmeyer | The Wall Street Journal, de Al Kharj, Arábia Saudita e reproduzida pelo Jornal Valor Econômico em 23 de outubro de 2012.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A seca no Norte de Minas

Entra ano e sai ano e o problema é o mesmo. A população do Norte de Minas sofrendo com os graves problemas da seca. A situação é grave, mas não deixa de ser um jogo de empurra entre níveis de governo. Os prefeitos jogam para o governo do estado, que põe a culpa no governo federal. Enquanto isso, deputados federais e estaduais vão se elegendo às custas de promessas para resolver uma situação que existe desde sempre e nunca foi resolvida.
 Há poucos dias ouvi uma frase interessante e que serve para ilustrar o problema da seca que assola o norte-mineiro. Um especialista dizia que esquimós nunca pensaram em acabar com o gelo. Pelo contrário, desenvolveram meios para viver nele. Para o norte-mineiro, a lógica deve ser essa. Já que não pode acabar com a seca, deve-se buscar meios de sobreviver a ela e amenizar seus efeitos. Para isso, é necessário o trabalho coletivo de entidades públicas, civis e a população em geral.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Governo incentiva melhoria da qualidade genética bovina para pequenos produtores

Muito louvável a iniciativa do governo mineiro para viabilizar a compra de reprodutores de alta qualidade para criadores de gado do estado. O incentivo é para que os negócios sejam feitos com pequenos produtores a preços mais em conta e com pagamento parcelado. Com isso, melhora-se a qualidade do rebanho bovino e aumenta a rentabilidade das pequenas propriedades. Ou seja, o benefício da alta qualidade genética, que antes era restrito a grandes criadores, chega também ao pequeno. Os investimentos em touros como guzerá (foto) são de cerca de 5 mil reais, com pagamentos de até 20 meses. Imagem de internet.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Cachaça também sofre com a seca em Minas

Neste ano, até a dose de pinga oferecida para o santo vai ficar comprometida. São Pedro não está ajudando e a seca que castiga o Norte de Minas, considerada uma das piores da história, prejudica a produção de um dos mais conhecidos produtos mineiros: a cachaça artesanal. As perdas no setor podem chegar a 40% na região, segundo cálculos de Nivaldo Gonçalves das Neves, presidente da Associação dos Produtores de Cachaça Artesanal de Salinas (Apacs). Com a escassez de chuvas, o crescimento da cana ficou comprometido. Também falta água para movimentar os alambiques. Diante dessas dificuldades, alguns produtores não estão produzindo a bebida neste ano. De acordo com o presidente da Apacs, a produção anual de cachaça de Salinas é de 5 milhões de litros. Porém, com os efeitos da estiagem prolongada, o volume produzido na região deverá cair para 3 milhões de litros, ou, no máximo, chegar a 3,5 milhões de litros em 2012. A produção da aguardente propriamente dita – alambicagem ou moagem na linguagem dos pequenos produtores – começou em junho e vai até outubro. O baque provocado pela estiagem prolongada chega numa época em que os produtores de cachaça ainda comemoram uma importante conquista: o reconhecimento da qualidade do produto com o selo de indicação geográfica, concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) em meados de julho. A Apacs tem 26 associados, que juntos somam 52 marcas de cachaça, entre elas, algumas das mais conhecidas no país, como Havana, Canarinha, Beija Flor, Lua Cheia, Boazinha, Saliboa, Sabor de Minas e Seleta. Conforme Nivaldo Gonçalves, os canaviais ocupam cerca de 600 hectares na região de Salinas. A estimativa é de que, em condições normais de chuva, a produção seja de 9 mil litros de aguardente por hectare. O presidente da Apacs ressalta que a seca acarreta maiores prejuízos para os pequenos produtores de cachaça artesanal de Salinas, uma vez que o plantio de cana na região não é irrigado. “Além disso, a cana depende muito da regularidade das chuvas, pois o sistema radicular da planta é curto. Atinge, em média, um metro de profundidade. Por isso, a cana sofre muito com a seca prolongada, que retira a umidade da superfície do solo”, explica. Nivaldo lembra que os fabricantes da cachaça artesanal de Salinas também são produtores rurais comuns e desenvolvem outras atividades em suas propriedades como a criação de gado e o plantio de pequenas lavouras. Por isso, acabam sofrendo outros impactos negativos decorrentes da estiagem prolongada. O açude esturricado reflete diretamente nos negócios de Eilton Santiago: %u201CEm 21 anos, é a primeira vez que esse tanque seca%u201D Outro problema: vários produtores de cachaça adquirem a cana das mãos de pequenos agricultores de Salinas e municípios vizinhos como Taiobeiras, Rio Pardo, Fruta de Leite e Indaiabira. Por causa da escassez de chuvas, as pastagens foram dizimadas e os sitiantes e fazendeiros foram obrigados a destinar a cana para alimentar o gado, deixando de fornecer para os alambiques. Normalmente, toda vez que há a queda na produção de determinado produto devido a efeitos da natureza, ocorre um aumento de preços, em função da lei da oferta e da procura. No entanto, no caso da aguardente de Salinas, pelo menos por enquanto, não deverá ter alteração nos valores de venda. O presidente da Apacs esclarece que a aguardente artesanal não chega ao mercado no mesmo período em que é produzida. Logo depois de terminar a destilação, os produtores iniciam o processo de envelhecimento em dornas de madeira, que demora cerca de três anos. Ainda por conta do processo de envelhecimento, os pequenos produtores de Salinas têm dornas de cachaça estocadas. “Assim, acredito que só deverá ocorrer alguma mudança no preço do produto devido à queda na produção em decorrência da seca, na entressafra, que vai de novembro a maio”, afirma Nivaldo Gonçalves. Sol não poupa ninguém A seca afeta duramente a vida dos produtores de cachaça de Salinas, como Eilton Santiago, dono da Canarinha, eleita recentemente em concurso como a segunda melhor aguardente do Brasil – o primeiro lugar ficou com a Havana. “A minha produção neste ano caiu 40%”, diz Eilton, que é sobrinho do falecido Anísio Santiago, fundador da Havana. Ele deverá produzir, no máximo, 20 mil litros da bebida. Eilton fez um canavial de nove hectares em uma fazenda, perto do distrito de Nova Matrona. Ali são visíveis os efeitos destruidores do sol forte: boa parte da cana não cresceu, ficando fina e com os gomos pequenos. Com isso, a produção do caldo de cana (matéria-prima básica da aguardente) é muito reduzida. Ainda na mesma propriedade, Eilton caminha numa área com o chão esturricado, onde antes existia um reservatório de água. “Em 21 anos, é a primeira que esse tanque seca”, relata o pequeno produtor, que, por conta da falta de água, foi obrigado a deslocar 70 cabeças de gado para uma fazenda vizinha. O dono da Canarinha tem pelo menos um consolo: não houve perda de qualidade da aguardente, tendo em vista que o brix (teor de açúcar) do caldo de cana não sofreu nenhuma alteração. Para o produtor Ailton Fernandes Alves, dono da Meia Lua, também de Salinas, os prejuízos acarretados pela seca foram piores ainda. “Não tive nem como produzir nada neste ano, pois a cana não cresceu e falta água”, reclama Ailton, revelando que deixou de alambicar 30 mil litros de aguardente. O fabricante da Meia Lua tem dois hectares de cana plantados e grande parte da matéria-prima usada em seu alambique é adquirida de outros pequenos produtores. Mesmo comprando a cana de terceiros, não teve como movimentar o alambique por causa da falta de água. Ailton, que também responde pelo rótulo Beleza de Minas, conta que o Rio Jucurutu, que passa no fundo de sua propriedade, está esturricado. “Nos anos anteriores, o rio também estava ‘cortado’, mas existiam uns poços no seu leito, de onde a gente tirava a água. Agora, a estiagem foi tão brava que os poços também secaram.” Ele diz ainda que não tem como recorrer a um poço tubular porque a água do lençol freático da região é salobra e não serve para a produção de cachaça. Sem o recurso hídrico, a produção de aguardente torna-se inviável. Ailton explica que para produzir 300 litros da bebida, são necessários 10 mil litros de água, levando em conta o tipo de alambique de sua propriedade, o trompa de elefante, mais popular na região de Salinas. As dificuldades impostas pela seca vividas por Ailton são igualmente enfrentadas pelo pai dele, João Fernandes Sobrinho, de 83 anos, produtor da Lua Cheia. Seu João vai deixar de produzir 20 mil litros de aguardente este ano, pois também depende da água do Jucuturu, que atravessa sua propriedade. “Por causa do sol forte, a cana murchou toda”, lamenta. Fonte: Luiz Ribeiro/Portal Uai/Estado de Minas)